Um pouco mais perto do céu

CAPA POST cópia

Estou sentado no terraço da faculdade, com meu celular na mão, aguardando o horário da convenção social de prestígio que nomeamos de aula. Se eu ficar em silêncio, consigo ouvir os aviões sobrevoando o céu sob minha cabeça enquanto sinto a leve brisa do vento refrescar meu corpo nesse fim de tarde quente.
Mais ao longe, eu consigo ouvir vozes de pessoas que não conheço e o barulho e gritos de crianças sendo crianças. No horizonte, enxergo com admiração o esplendor da paisagem que se apresenta diante de mim, quando o sol se pondo lentamente dá ao céu um tom alaranjado possível de ser visto apenas durante poucos minutos do dia.
Olhando pra cima, contemplo todo o céu em sua infinitude e me sinto absurdamente pequeno. Mantendo-me em silêncio completo, me questiono se estou mais perto de Deus aqui de cima. E então, de repente, esse celular em minhas mãos, esse aglomerado de concreto e aço que forma o prédio no qual eu estou, aulas e convenções sociais, parece tudo tão irreal. Tão sem sentido.

O que deveríamos buscar? A quem? Posses e conquistas ou a Deus? A vida traz consigo tantos mistérios e perguntas que não nos fazemos ou por medo das respostas ou por estarmos ocupados demais tentando ser alguém. Mas ser alguém pra quem? Pra quê?

“Senhor, perdoa esse teu filho que complica demais as perguntas para as quais não existem tão simples respostas, ou para as quais as respostas pouco importam”, eu pensei ainda olhando para cima e contemplando aquela imensidão sem fim.

Nesse momento, em total silêncio, nenhum avião sobrevoa o céu acima de mim, nenhuma voz desconhecida pode ser ouvida e as crianças contrariando o que são, estão quietas. A leve brisa que sopra meu corpo se intensifica um pouco. Por um segundo eu fecho meus olhos e sinto como se estivesse sendo envolvido em um abraço, e então nesse instante eu sussurro baixinho: “Senhor, perdoai esse seu filho que complica tanto o mundo e a vida, quando na verdade esse encontro é tudo que basta”

Torno a abrir os olhos, agora um pouco marejados, respiro fundo, e sorrio nem sei bem por quê.
Os aviões voltam a ser ouvidos e as crianças a fazerem barulho, mas nesse momento, até mesmo esse celular em minha mão e esse aglomerado de concreto de aço fazem sentido. Nenhum de nós nunca precisará procurar a Deus, se ele sempre estiver na essência do que fazemos, seja isso assistir aulas, arrumar empregos, conversar com os amigos, namorar, escrever, ou simplesmente devanear sobre a vida no terraço da sua faculdade num fim de tarde quente.

“Há pensamentos que são orações. Há momentos nos quais, seja qual for a posição do corpo, a alma está de joelhos.”

Victor Hugo


Nota do autor:

“E talvez dizer já seja uma reza
Já seja uma reza
Já seja uma oração dentro de nós!

O Teatro Mágico – Perdoando o Adeus

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2 comentários em “Um pouco mais perto do céu

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